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Mais Beja

Mais Beja

Excessos, antigos e atuais

No Diário do Alentejo desta semana, vem um excerto de uma notícia escrita há 50 anos. Nessa notícia, é demonstrando que os cargos políticos são uma autêntica feira de vaidades, de vícios, onde quem lá está usa o que não é deles, mas de todos nós. Mais absurdo, é ver que nada mudou:

A Imprensa tem-se referido ultimamente

a certos abusos que se verificam com

os automóveis do Estado e a publicidade

feita a este respeito merece o nosso franco

aplauso, necessário como é morigerar costumes

e defender com unhas e dentes os dinheiros

do Estado, hoje mais do que nunca,

que temos de suportar uma guerra custosíssima

em África.

Não é raro verem-se por aí automóveis do

Estado com senhoras, meninas e criadas em

passeio ou a fazer compras sem que o Estado

tenha nesses passeios ou compras no mercado

o mínimo interesse.

Nós bem sabemos que a gasolina é muito

mais barata para o Estado do que para os

particulares, o que plenamente se justifica.

Mas, mesmo barata, custa dinheiro, como

dinheiro custaram os automóveis do Estado,

que se desgastam, como os outros.

Entendemos, e parece que toda a gente

o entende, que os carros do Estado são para

serviço oficial e não para passeatas, mas que

cada um deve pagar à sua custa. Para isso se

é aficcionado...” Diário do Alentejo, Nº 1625, pág. 15.

Sei que isto não é nada comparado com o momento atual do País e do povo, mas se nem estas pequenos aspectos conseguimos mudar, fará o resto dos vícios…