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Mais Beja

Mais Beja

Beja atual

Hoje, dia em que se assinala o feriado da nossa cidade que, apesar de moribunda e vazia, continua a ser uma bela cidade. Não pelo seu desenvolvimento, criação de emprego ou de oportunidades que oferece aos jovens. Mas sim, porque é nossa. É aqui que nos sentimos bem, que nos sentimos em "casa". Hoje, os bejenses e alentejanos não têm motivos para sorrir, antes pelo contrário. O poder central deixou-nos ao abandono, sem nada para nos oferecer ou sequer sonhar, apesar de fazer um confisco a quem, ainda, trabalha. Veja-se o caso iminente que se irá passar no Hospital José Joaquim Fernandes, com a eliminação de 24 camas do Serviço Nacional de Saúde, hospital esse que não é dos bejenses, mas sim de todos os alentejanos do distrito. O poder local, também nos abandonou, muito por culpa do poder central, mas não só. O poder local não nos defende, não cria desenvolvimento, não aposta naquilo em que podemos ser líderes na região: turismo, capital dos serviços, capital da agricultura, cidade para viver, estudar e trabalhar. Além disso, sofremos da fatalidade portuguesa e provinciana de estarmos no “interior” do País, região esquecida, antes e após as eleições.

Ontem, desloquei-me as Portas de Mértola. Sem dúvida este local, além de ponto central da cidade, é o espelho, a “pedra de toque” do que se passa na cidade e região: obras públicas (câmara) que se arrastam, com inúmeros prazos para terminar, que se vão alargando no tempo. Economia destruída, com incontáveis empresas que acabam por encerrar ou falir. Lojas que se abrem e passado 1 ano fecham. As pessoas que ainda lá vão, vão para passear e não para gastar dinheiro. Não se vê crianças. Vêm-se edifícios com a tinta a cair.

 

E nós, que fazemos? Nada. Ficamos à espera das próximas eleições (autárquicas, legislativas e presidenciais). Porque é a única ferramenta, que o povo (pensa que) tem para mudar o rumo das coisas…

 

Já agora, como bom alentejano, que adora a sabedoria popular, aqui deixo este excerto, reproduzido do Diário do Alentejo, de 3 de maio de 2013:

"Este eu não sei se ela o dava como verídico. Dele o que

apenas me lembro é que, no monte de uma certa herdade,
um sapateiro ficara a tomar conta de um menino que, na ausência
dos pais, permanecia sentado junto à chaminé, onde
ardiam dia e noite grossos madeiros de azinho. Pequeno,
mas já falante, quando, às tantas, era mais o calor proveniente
de um novo e grosso madeiro que as chamas começavam
a lamber, o rapazote queixava-se:
– Mestre, eu queimo-me.
Invariavelmente, o mestre respondia:
– Chegue-se para diante, menino.
E era sempre para diante que o menino se chegava.
Daí a nada, da boca do menino saía a mesma queixa:
– Mestre, eu queimo-me.
– Chegue-se mais para diante, menino – insistia o
sapateiro.
E pela última vez. Porque, a partir daí, o menino começou
a crer mais no efeito do calor que nas palavras do
mestre.
E arredou a cadeira. Bem para trás, de maneira que os
madeiros o aqueciam, mas já não queimavam.
A história, se tem moral, que cada um a tire, como eu a
tirei há cinco décadas.
Não vou torná-la explícita, mas se, depois de contar o
episódio, como a senhora Antonica mo contou, alguém se
vier queixar de que a fogueira acendida para aquecer o País
o está a deixar queimado, apenas responderei:
– Chegue-se para diante, menino!" 
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