Beja precisa de mais jardins e árvores para combater o extremo calor

FONTE: GOOGLE IMAGENS
As árvores, como é sabido, trazem vários benefícios para os seres humanos e planeta. No meio urbano, as árvores têm a capacidade de gerar áreas de sombra, graças às suas folhas, troncos e ramos, reduzindo a temperatura no local onde se encontram, seja na rua, praça ou estrada.
Jardins em espaços urbanos podem trazer vários benefícios aos ecossistemas das cidades, ao nível da diminuição da poluição do ar e do ruído, da absorção de água, da regulação de temperatura e da atração de biodiversidade. E podem também ter benefícios sociais, proporcionando encontros entre vizinhos e estabelecimento de laços com a Natureza.
Vários estudos demonstram que as altas temperaturas em ambientes urbanos estão associadas a resultados negativos de saúde, como insuficiência cardiorrespiratória, aumento do número de episódios de ida à urgência e morte prematura.
Beja é uma cidade muito quente, e que quem cá vive sofre com o imenso calor no verão. Dentro de pouco tempo, este problema vai agravar-se com o aumento da temperatura na Europa, mais acentuado nos países do sul, como Portugal, devido ao aquecimento global. Não pensar e minimizar os problemas da cidade, é não saber gerir e recusar projetar a cidade para um futuro, que é já amanhã. É urgente criar jardins e plantar árvores nos canteiros vazios existentes por toda a cidade.
Estudos demonstram que a temperatura do ar pode ser inferior entre 2ºC e 8ºC e a temperatura no chão inferior a 12ºC, como pode ser visto neste VÍDEO. Além disso, as árvores, arbustos e plantas deitam vapor de água, criando uma espécie de ar condicionado, contribuindo para reduzir ainda mais a temperatura e o efeito ilha de calor urbano, devido ao facto de o alcatrão acumular e irradiar calor.
A nível europeu, o grande motor para o aparecimento de parques e jardins públicos nas cidades, surgiu a partir dos séculos XVIII e XIX. Hoje, estamos no século XXI, e Beja apresenta-se estagnada na redução do impacto às alterações climáticas, não fazendo o óbvio. O município prefere adquirir carros elétricos ou instalar uma dúzia de painéis solares, do que criar parques e jardins ou aumentar o número de árvores por toda a cidade. A provar isto, estão os inúmeros canteiros sem árvores há muitos anos, alguns há mais de uma década. Esta situação, apenas revela que o município prefere algo simples, rápido e sem impacto nas pessoas, do que criar medidas robustas, duradouras e com impacto direto em quem cá vive. É absurdo e vergonhoso para qualquer cidadão de um país europeu, que uma das cidades mais quentes da Europa, tenha tão poucas árvores.

FOTO: MAIS BEJA. RUA DE SANTO ANDRÉ (BEJA)
A cidade precisa urgentemente de espaços verdes de proximidade. De pouco serve ter um parque da cidade e um jardim público, quando os 32.000 habitantes da cidade, têm de deslocar-se no seu carro e percorrer vários quilómetros para terem acesso a um parque verde, amplo, com várias zonas de lazer. Ou pior se encontram as pessoas que vivem nas aldeias do concelho. Os parques e jardins têm de estar próximos onde as pessoas vivem e trabalham, para que de forma simples e rápida, possam aceder a um espaço verde, confortável e fresco.
É impensável, Beja ser umas das cidades mais quentes da Europa, e existirem ruas sem uma árvore ou um simples arbusto. E não é inventar a roda, e sim fazer o que outras cidades por toda a Europa executam. Aqui ao lado, em Sevilha, fazem isso de forma sistemática, como mostra este vídeo:
A ausência de visão e estratégia por parte da Câmara Municipal de Beja continua em algo tão simples e óbvio que é o facto de os parques infantis no concelho, não terem qualquer sombreamento, seja criado por árvores ou toldos, impossibilitando que as crianças brinquem nesses mesmo parques no verão, uma vez que o material de que são constituídas fica a “escaldar” com a intensa radiação solar. E há soluções simples, como a cidade de Barcelona, ao instalar toldos nos seus 200 parques infantis.

FOTO: AJUNTAMENT DE BARCELONA

