Momento atual de Portugal
Portugal está diferente. Está diferente porque a instituição mais apática da nossa Sociedade, a Justiça, de um momento para o outro, decidiu atacar os podres da sociedade portuguesa: políticos, negócios e empresas. Finalmente, segundo parece, a Justiça está a atacar tudo o que até agora o povo dizia que não era atacado.
Muito se tem dito e escrito, dizendo que agora é que era, que todos os que “roubaram” o País irão presos. Eu não acredito. E digo porquê: todos os grandes processos: submarinos, e agora, Ricardo Salgado/BES/GES, Vistos Gold e José Sócrates, foram todos despoletados por um único juiz: Carlos Alexandre. Pergunto: A justiça de um País depende unicamente do trabalho de um único juiz? Como é possível um único juiz fazer o trabalho que deveria ser de todo o sistema judicial?!
O povo aplaude as últimas notícias, como se novos ventos e novas marés tivessem chegado a Portugal, e agora tudo iria mudar. Em Espanha, nos últimos 2 anos, foram presos centenas, repito, centenas de autarcas, deputados regionais, empresários, políticos, etc. Em Portugal, os que até ao momento foram levados a tribunal, foram absolvidos (Apito Dourado, Freeport) ou o processo já se arrasta há 7 anos ou mais (BPN, BPP, BCP). Como pode haver justiça quando já ninguém se lembra como começou o processo de acusação? Como o povo pode acreditar na Justiça, quando os poderosos saem incólumes dos processos, devido a estratagemas de grandes firmas de advogados, que aproveitam lacunas na Lei para livrar os seus clientes? Ou os porque os crimes prescreveram?
Em relação ao processo de José Sócrates, haverá 3 conclusões possíveis e nenhuma será positiva para o País: se forem provados os crimes e condenado, os partidos e os políticos, serão todos arrastados para o esgoto, assim como quando chove, a água corre até à sarjeta. O povo, que tem uma imagem bastante negativa dos políticos, irá virar-lhe as costas e nesse momento surgirão novos partidos de extrema e com ideias anti-capitalistas, anti-europeias, anti-privados, anti-empresas, sendo a fim do projeto europeu e da estabilidade da sociedade.
Se for absolvido, o povo confirmará que a Justiça, não funciona para os “grandes”, apenas para o pobre, que roubou 10 fardos de palha.
A terceira e última opção é se as provas que incriminam o ex-Primeiro-Ministro não puderem ser utilizadas e, devido a isso seja absolvido, o povo irá revoltar-se contra a Justiça, e nunca mais acreditará nela, provocando a queda, pelo menos em termos de imagem social, de um dos pilares essenciais de um Estado de Direito e da democracia.