
A política, ao contrário do que se julga, deveria ser das mais nobres atividades humanas, voltada para o bem comum, para a promoção da justiça e do progresso social e económico. No entanto, o que se vê, com lamentável frequência, é a falta de decência por parte daqueles que deveriam representar o povo, zelar pelos seus interesses e cumprir as promessas eleitorais e ambições dos cidadãos.
A falta de decência na política em Portugal tem-se manifestado por promessas eleitorais nunca cumpridas, mentiras descaradas e uma completa indiferença às dificuldades e anseios das pessoas. A falta de investimentos em áreas essenciais como saúde, educação, emprego e acessibilidades, criar serviços públicos capazes de responder às necessidades dos cidadãos e empresas, bem como a incapacidade de criar políticas públicas eficazes são igualmente reflexos dessa falta de decência. Para muitos políticos, as eleições nada mais são do que uma forma de perpetuarem o seu emprego, tendo um objetivo individual. Para o povo, é a opção de escolher representantes, e fazer cumprir as suas vontades e necessidades, tendo em vista o bem comum.
O Partido Socialista afirmou, após promessa do atual Governo, formado pela coligação Partido Social Democrata (PPD/PSD), pelo CDS – Partido Popular (CDS–PP), pelo Partido Popular Monárquico (PPM), de que construção da Autoestrada 26 até Beja é “nada mais é do que uma ilusão com fins eleitorais”. Relembro, que durante 8 anos, o PS fez exatamente essa promessa e nada concretizou. Ou seja, o PS critica-se a ele próprio porque fez exatamente o mesmo. Mais ainda, quando o PS teve maioria absoluta e realizou outras promessas, nada concretizou: contratação de médicos de família, requalificação da ferrovia e construção da A26 até Beja.
Para aumentar o absurdo das recentes afirmações, é a proposta dos autarcas do distrito de Beja do PS, não quererem apenas a construção da A26 até Beja, mas sim, até Vila Verde de Ficalho / Espanha. São mais 54 km! Quando nem 1 km o PS concretizou.
O PS, em 8 anos, a única obra que tem para apresentar é a instalação da Ressonância Magnética e a expansão do regadio da barragem do Alqueva, que apenas aconteceram devido aos fundos europeus.
Quando o seu ex-líder, António Costa, demitiu-se do cargo de Primeiro-Ministro, por uma investigação, este aproveitou e fugiu par Bruxelas para ocupar o seu cargo de sonho na Europa e, na eleições legislativas de 2024, perde uma maioria absoluta, o Partido Socialista deveria sim ter refletido, restruturado, eleito novas pessoas e apresentar-se a umas eleições, admitindo os seus erros e falhas nos últimos 8 anos. Ora, os dois principais candidatos do PS para as próximas eleições de 18 de maio de 2025 pelo distrito de Beja são Pedro do Carmo e Tema Guerreiro, os mesmos que lá tiveram antes da queda do Governo, muito prometendo e nada concretizando!
A resposta ao porquê de os jovens não votarem, a abstenção ser elevada e os partidos de extrema ganharem representação política em Portugal, contra os nossos valores e princípios democráticos e europeus, é olhar para os principais partidos em Portugal. São capazes de dizer tudo e o seu contrário, prometendo mundos e fundos, sem nada concretizar. Os portugueses, frustram-se e revoltam-se, não votando ou votando em partidos que nada têm a ver com Portugal e os portugueses, apenas como forma de abanar o sistema e demonstrar o seu desagrado e revolta.
No entanto, nem tudo está perdido. A mudança começa com o voto consciente, baseado na fiscalização e avaliação da atuação dos políticos e na construção de uma sociedade cada vez mais exigente com o poder político, por forma a mudar o atual status quo, que nada têm concretizado no Baixo Alentejo.


