
FOTO: MAIS BEJA. CARTAZ DE ANDRÉ VENTURA (CHEGA) NA CIDADE DE BEJA – PARQUE INDUSTRIAL DE BEJA
Como é possível numa República europeia, com leis e ordem, seja permitido este tipo de cartazes, claramente xenófobos e ofensivos à dignidade humana e totalmente mentirosos? Ainda para mais, numa região que ao longo das décadas, teve e tem, milhares e milhares de emigrantes lá fora, e hoje, com a agroindústria, precisa de milhares e milhares de imigrantes, que vêm à procura de uma vida melhor, mas encontram condições indignas, desumana, ilegais e de escravatura humilhante. Pessoas, enganadas com falsas promessas de condições por redes criminosas.
Neste cartaz, o hoje candidato a Presidente da República Portuguesa, demonstra ao que vem, que é através da mentira e do populismo, ataca e desrespeita a Constituição da República Portuguesa, documento sagrado, no qual qualquer Presidente da Portuguesa tem de defender acima de tudo.
No Artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa, encontra-se estabelecido o Princípio da igualdade, que diz:
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Ou seja, a Constituição proíbe explicitamente a discriminação com base em “raça”, “território de origem” e “ascendência”, consagrando a dignidade da pessoa humana como fundamento da igualdade e direitos fundamentais. Em suma, a igualdade perante a lei e a não-discriminação são pilares constitucionais do nosso país.
André Ventura, que tanto gosta de defender Portugal e os portugueses, com grande foco nas forças de segurança, deveria olhar para o último escândalo nacional, em que elementos GNR e PSP, espancaram, violaram, intimidaram e agrediram imigrantes. Um acto vergonhoso, nojento e desumano para com outros seres humanos. E aqui, aos apoiantes e votantes do André Ventura, afinal, onde estão os criminosos: em alguns (escassos) elementos das forças de segurança da nossa comunidade que envergonham o país ou nos imigrantes, que trabalham para manter o “motor” da agroindústria a funcionar?
Seria importante questionar o vereador David Catita (Chega) sobre qual a opinião e se apoia o cartaz afixado pelo seu partido em Beja.
Sobre os imigrantes viverem de subsídios, apresento os dados oficiais: Em 2024, os imigrantes em Portugal contribuíram com cerca de 3,6 mil milhões de euros para a Segurança Social (um valor recorde) e receberam em prestações sociais (subsídios, reformas, apoios) cerca de 687 milhões de euros, um valor muitíssimo inferior ao pago.
Portanto, a narrativa de que os imigrantes vivem de subsídios em Portugal é totalmente falsa.
Serão estas as características que os portugueses pretendem num político para governar Portugal?

