Primárias da cidadania
Pela primeira vez na história do País, o povo escolheu realmente qual o seu candidato a Primeiro-Ministro. Pela primeira vez porque quando há eleições legislativas, os candidatos são escolhidos antecipadamente pela “cúpula” de cada partido. Pelos "barões". Quem são esses barões? Poucos sabem, mas sempre governaram o País porque são eles que elegem os candidatos a Primeiros-Ministros. Não é o povo. O povo só vai confirmar o que foi escolhido por “ilustres” de cada partido. Portanto, há que realçar esse grande passo na democracia do País e na abertura de um partido aos cidadãos em geral, algo único na história pós-25 de Abril.
A pré-campanha foi má. Foi má não por culpa do vencedor de ontem, António Costa, mas pelo seu adversário, que não tem “estaleca” política e de vida, porque nunca fez nada. Atacou altas individualidades do partido Socialista, quando não foi capaz de atacar o Presidente da República. Atacou o seu adversário, quando no parlamento só soube atacar o Primeiro-Ministro com populismo barato e justiça social. Perdeu por demérito próprio. Não tanto por grande mérito do adversário, apesar da postura correta e sensatez que teve no debate. Falta saber o principal: como irá António Costa governar o País? Apenas disse que o programa ia ser realizado até as legislativas.
Quanto aos resultados, não fiquei espantado. Só fiquei espantando por todo o ato eleitoral ter decorrido sem boicotes, votos falsos, de mortos, acamados, emigrantes, etc. Ao que parece, correu tudo no máximo rigor e transparência (excluindo o envio de SMS no domingo de manhã por parte da campanha de António Costa aos militantes).
E agora? O País ganhou um líder de oposição competente, sensato, que não entra em populismos baratos, com uma vasta experiência política e governativa, capaz de mobilizar o povo que anda sem ânimo após ser sucessivamente atropelado, pelo atual Governo.
O País não está melhor e o povo a única coisa que deseja é que no dia de amanhã não pague mais impostos ou não seja despedido da empresa ou colocado no quadro de mobilidade especial, perdendo rendimentos para ter uma vida digna. Não deseja uma vida melhor e mais estável em termos laborais, salariais, ou melhores serviços públicos. Isso já foi extinto pelo atual Governo. Querem, à boa maneira portuguesa, “ir indo”, “um dia de cada vez”. Isto é um povo sem alma, sem futuro, sem esperança.
E em democracia, em tão importante ter um excelente líder de governo, como uma excelente líder de oposição. Por enquanto, só passámos a ter metade. Daqui a 1 ano, a metade inverte-se.