Repavimentar para voltar a remendar - o retrato de uma má gestão em Beja

FONTE: CÂMARA MUNICIPAL DE BEJA
A Rua Dom Afonso III é uma das vias mais importantes de Beja. Liga o centro da cidade ao Parque Industrial, Bairro da Conceição, Beja Retail Park, Bairro da Quinta Del Rey e ainda à saída para Serpa. É, na prática, a única estrada que serve toda a zona este de Beja e, por isso, uma das mais utilizadas diariamente por centenas de automobilistas.
Em março de 2021, a rua foi repavimentada com grande expectativa por parte da população. Depois de anos com um piso degradado, cheio de fendas e buracos, esperava-se finalmente uma solução duradoura. No entanto, poucos meses depois, começaram a surgir buracos e remendos no novo alcatrão. A principal causa? Obras sucessivas relacionadas com canalizações de água, roturas e outras intervenções públicas que voltaram a originar buracos no pavimento recentemente colocado.
Ao longo do tempo, a abertura de buracos e colocação de remendos foi-se sucedendo, tornando-se num curto espaço de tempo uma estrada irregular e com buracos, que só passado várias semanas são reparados.
Este caso evidencia uma falha grave de planeamento e coordenação por parte da Câmara Municipal de Beja. Foram investidos dezenas de milhares de euros de dinheiros públicos numa obra que, pela falta de articulação entre serviços, rapidamente perdeu qualidade e fez regressar problemas antigos.
Antes de repavimentar qualquer via, seria fundamental que o município, em específico, os seus técnicos e departamento responsável pelos acessos rodoviários consultassem as entidades responsáveis por infraestruturas subterrâneas (água, saneamento, eletricidade, telecomunicações) para verificar se estavam previstas intervenções futuras na zona e avaliassem o estado das condutas existentes, substituindo as mais antigas ou com risco de rotura antes de aplicar novo alcatrão.
Medidas simples como estas permitiriam evitar desperdício de recursos públicos, reduzir transtornos para os moradores e automobilistas, e garantir uma cidade mais bem cuidada.
Esta situação, foi repetida, de forma mais grave na Rua Francisco Miguel Duarte e Rua Dr. José Correia Maltez, junto à piscina municipal coberta e Escola Superior de Saúde de Beja, como partilhado nesta publicação no Facebook, devido a uma obra da E-REDES. Após uma repavimentação realizada em junho deste ano, com um custo de cerca 126.000€ + IVA, o novo pavimento foi agora destruído.
É uma situação inadmissível. Um desperdício escandaloso de recursos materiais e financeiros, resultado direto da falta de coordenação entre a Câmara Municipal e as entidades responsáveis pelas infraestruturas públicas.
O que deveria ser uma melhoria para a cidade acabou por se transformar num exemplo claro de má gestão, planeamento, duplo transtorno pelo encerramento parcial da via por duas vezes, onde o dinheiro dos contribuintes foi literalmente deitado ao lixo.
Beja merece obras planeadas com responsabilidade, competência, visão de futuro e sem prejudicar o erário público.


