
IMAGEM: GOOGLE MAPS
Há zonas na cidade de Beja que infelizmente envergonham a cidade e os bejenses. Espaços públicos que transmitem uma imagem de atraso, descuido e falta de planeamento urbano, muito distante daquilo que se espera de uma cidade que valoriza o bem-estar, a segurança e a qualidade de vida dos seus habitantes.
É certo que nem tudo depende exclusivamente da autarquia ou do poder público. Em muitas cidades europeias com elevados níveis de desenvolvimento social e económico, o setor privado desempenha um papel importante na transformação urbana, investindo, reabilitando e criando novos espaços que contribuem para uma cidade mais dinâmica e atrativa. Ainda assim, existem áreas cuja responsabilidade de planeamento e intervenção pertence claramente ao espaço público.

IMAGEM: GOOGLE MAPS (EDITADA)
Um dos exemplos mais evidentes em Beja é a área envolvente à Praça de Touros José Varela Crujo. Trata-se de uma zona que, apesar da sua localização, continua sem qualquer tipo de arranjo urbano. Quem chega encontra um espaço abandonado, sem condições mínimas para estacionar ou circular com conforto e segurança. Neste local, além da praça de touros, existe escolas, habitações e negócios, mas que quem cá vive ou circula, vê um local de terra batida, onde deveria existir estacionamento organizado, árvores, iluminação pública adequada e passeios ou calçada que permitam a circulação segura de peões.
A situação torna-se ainda mais problemática em dias de eventos e para os residentes. A zona serve de estacionamento e acesso a habitações e garagens, obrigando muitas vezes os moradores a circular em pisos irregulares e, em dias de chuva, na lama. É uma realidade que não se compadece com os padrões urbanos que hoje se exigem a qualquer cidade europeia.
Há muitos aspectos da vida em sociedade que não consigo compreender. Como é possível que determinados problemas persistam durante décadas sem solução? Será falta de prioridade política, escassez de recursos financeiros, ausência de pressão cívica ou simplesmente o hábito de conviver com o problema durante tanto tempo que ele deixa de ser questionado?
A verdade é que Beja ainda tem muito por fazer em termos de requalificação do meio urbano. E este local, o Mais Beja, pretende também cumprir esse papel: chamar a atenção para aquilo que continua por resolver e recordar que o desenvolvimento de uma cidade faz-se tanto através dos grandes projetos, como da resolução dos problemas simples e básicos do quotidiano, que é ter um local para estacionar o carro, circular no passeio, ter iluminação pública na rua que traga mais segurança e árvores que criam sombra, saúde e embelezamento.
As cidades são o resultado de processos sociais, económicos, culturais, políticos e territoriais, surgindo da soma das aspirações e sonhos das pessoas que esperam encontrar nelas uma oportunidade para uma melhor qualidade de vida. Planear, criar e gerir territórios urbanos exige ter em consideração essas motivações.


