Autárquicas 2025: Análise ao resultado final no concelho de Beja

BEJA CONSEGUE (PSD, CDS-PP e IL)

O movimento Beja Consegue venceu as eleições autárquicas e conquistou a Câmara Municipal de Beja. A vitória explica-se pela qualidade da equipa, solidez do programa eleitoral e por uma visão estratégica clara para o futuro da cidade.
Mas a chave do sucesso esteve, sobretudo, na capacidade de ouvir e unir Beja e os bejenses, agregando pessoas de diferentes origens e sensibilidades políticas, afastando-se da lógica ultrapassada de “grupos” e “quintas” que continua a marcar o PS e o PCP. O resultado foi um aumento de 86% dos votos face a 2021.

Esta vitória é ainda mais relevante tendo em conta a estreia do Chega nestas eleições, que retirou parte do eleitorado mais à direita e impediu que o Beja Consegue alcançasse uma vitória expressiva.

O movimento obteve 5.592 votos, mais 775 do que o PS, garantindo assim uma vitória confortável, mas insuficiente para a maioria absoluta na Câmara. Elegeu 2 vereadores, ficando os restantes 5 vereadores na oposição (PS 2, CDU 2 e Chega 1). A governação será, portanto, exigente, impondo um diálogo com a oposição, resultando em abstenções pontuais para viabilizar propostas e orçamentos municipais. O mais sensato, por parte da oposição, será permitir que o vencedor governe e aprove os orçamentos municipais, evitando desculpas futuras sobre o sucesso ou o insucesso do novo executivo.

Além da Câmara, o Beja Consegue foi também o mais votado para a Assembleia Municipal e conquistou 3 das 12 freguesias: União de Albernoa e Trindade, União de Santiago Maior e São João Baptista e União de Salvador e Santa Maria da Feira. A vitória nas duas maiores freguesias, reforça a legitimidade e o mérito político do movimento.

PARTIDO SOCIALISTA (PS)

As razões da derrota do PS são claras e podem resumir-se em três fatores principais:

  • Oito anos de fraca execução e ausência de investimentos estruturantes, que impediram o progresso e a melhoria da qualidade de vida em Beja;
  • Um programa eleitoral pouco ambicioso e sem visão, incapaz de mobilizar os eleitores;
  • Soberba e distanciamento de parte da candidatura socialista local. Não do presidente Paulo Arsénio, mas sobretudo da sua equipa mais próxima e candidatos à Assembleia Municipal.

Vários bejenses com quem falei e troquei ideias e críticas, mostraram-se descontentes com a falta de obras e investimentos relevantes. A reabilitação do Mercado Municipal, anunciada em 2019, ou seja, no primeiro mandato, é frequentemente apontada como a única intervenção de relevo do PS, comprovando o pouco investimento.

Não se pode dizer que Paulo Arsénio tenha tido um desempenho desastroso, mas sim muito aquém das expetativas, sem avanços em áreas fundamentais como requalificação urbana, iluminação pública, habitação, espaços verdes ou novas infraestruturas municipais. A escolha de colaboradores pouco competentes também fragilizou a governação, bem como o facto de durante 4 anos ter visto a cidade dentro da “bolha” do PS, em que tudo era uma maravilha. Um dado que comprova o falhanço, é a perda de votos 1.519 votos face a 2021 para a Câmara Municipal, ou seja, perdeu 24% dos votos para outros partidos.

Como resultado, o PS conseguiu vencer apenas 5 freguesias do concelho.

CDU (PCP-PEV)

Como previsto, o PCP, travestido sob de CDU, confirma a sua contínua queda. Beja deixou há muito de ser um bastião comunista e a falta de renovação e a incapacidade de adaptação aos tempos atuais empurram o partido para a irrelevância política. Nas autárquicas de 2025, a CDU passou de 2.º para 3.º partido mais votado, perdeu um vereador e obteve menos 1.352 votos face a 2021.

O discurso antiquado e o vazio de propostas continuam a afastar jovens e eleitores moderados, mantendo apenas o apoio dos militantes mais fiéis e envelhecidos. A derrota mais simbólica foi a perda da União de Freguesias de Santiago Maior e São João Baptista, a maior do concelho, agora conquistada pelo Beja Consegue.

CHEGA

O candidato David Catita destacou-se pela boa imagem pública e capacidade oratória, fatores que o ajudaram a atrair votos.
Apesar disso, o programa do partido é pouco realista e inexequível, mas isso parece ter tido pouca influência, já que a maioria dos eleitores não lê os programas eleitorais.

Chama a atenção o elevado número de votos obtidos pelos candidatos às duas juntas de freguesia da cidade — 987 votos na União de Salvador e Santa Maria da Feira e 1.014 votos na União de Santiago Maior e São João Baptista — sem apresentarem programas, propostas ou discursos consistentes, ficando a questão de porque receberam tais votos?

Resta agora perceber como David Catita se comportará na oposição, depois de ser eleito vereador com 16,93% (3.041 votos).

BLOCO DE ESQUERDA (BE)

Como previ, o Bloco de Esquerda teve um resultado pior do que em 2021. A explicação é simples: as ideias e propostas apresentadas foram desconexas da realidade local e pouco credíveis. O BE permanece assim irrelevante no panorama autárquico de Beja.

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