
FONTE: GOOGLE IMAGENS
Em democracia, é fundamental que os executivos sejam competentes, íntegros e conhecedores das necessidades, limitações e complexidades do território que se propõem governar. Mas também é essencial que a oposição esteja à altura, pois numa democracia saudável o seu papel é igualmente relevante, no sentido de fiscalizar, propor ideias e contribuir para uma governação equilibrada. Muitas vezes, boas ideias podem surgir da oposição e ser aproveitadas por quem está no poder.
A menos de dois meses das eleições autárquicas de 2025, é natural que a oposição procure espaço mediático nas redes sociais e nos meios de comunicação, para apresentar ideias, denunciar carências, apontar falhas e dar a conhecer o seu programa. O Bloco de Esquerda local decidiu ocupar esse espaço com três propostas absurdas. Absurdas no alcance, custo financeiro, execução e real impacto positivo na cidade e seus moradores.
Primeira proposta estapafúrdia:
– O edifício da antiga agência do Banco de Portugal não pertence ao município, mas sim ao próprio Banco de Portugal, que o colocou à venda há anos por um valor elevadíssimo. Construído em 1948, com cerca de 80 anos, foi pensado para serviços financeiros e não para habitação. A adaptação de um imóvel com estas características teria um custo incomparavelmente superior à construção de habitações de raiz.

FONTE: FACEBOOK. Interior da antiga agência do Banco de Portugal de Beja
– O antigo edifício da Casa Pia ardeu por completo em 1977, restando apenas algumas paredes voltadas para a rua. O que existe atualmente é apenas terreno, árvores e entulho. Antes de apresentarem esta ideia, os candidatos do BE deveriam ter, no mínimo, visitado o local ou, em alternativa, consultado imagens no Google Maps para conhecer a realidade, como mostro em baixo. Pelas imagens, fica claro que não existe telhado e no seu interior apenas existem árvores de grande porte, tendo engolido tudo o que restava do antigo edifício.

FONTE: GOOGLE MAPS
Segunda proposta estapafúrdia:
– Mais uma vez, o Bloco de Esquerda ignora a racionalidade económica. Para assegurar autocarros a cada 15 minutos em todas as seis carreiras, seria necessário calcular o custo de operação, o investimento (CAPEX), a sustentabilidade financeira e o verdadeiro potencial de procura. No entanto, nada disto foi apresentado. Trata-se de uma proposta sem qualquer estudo de custo-benefício ou de viabilidade.
Terceira proposta estapafúrdia:
– Num contexto em que os lojistas do centro histórico já enfrentam enormes dificuldades, com o encerramento progressivo de estabelecimentos nas últimas duas décadas, propor a eliminação de estacionamento só agravaria a situação. Os centros comerciais atraem clientes precisamente pelas comodidades que oferecem, incluindo estacionamento gratuito. Esta medida apenas traria mais impactos negativos, revelando total desconexão com a realidade económica da cidade.
O Bloco de Esquerda local precisa de reformular com urgência o seu programa autárquico. Propostas sem base económica, sem estudo de viabilidade e sem ligação às reais necessidades da população não servem o debate público, nem os cidadãos. Em 2021, o BE teve apenas 274 votos (1,69% do total) no concelho de Beja. Mantendo este nível de propostas, é difícil imaginar que em 2025 consigam fazer melhor.


