
IMAGEM: GOOGLE MAPS. ESTADO ATUAL DA PRACETA/PORTAS DE MÉRTOLA
Na gestão de uma cidade, há sempre decisões, projetos e caminhos que podem ser elogiados ou criticados, conforme a forma como respondem aos desejos e necessidades da população. Em Beja, tal como noutras localidades, há iniciativas que aplaudimos por irem ao encontro do que queremos para a cidade — e há outras que nos fazem questionar prioridades e bom senso na utilização dos recursos públicos.
Esta semana, o presidente Paulo Arsénio anunciou, através da sua página pessoal no Facebook — que, curiosamente, é o principal meio de comunicação oficial do município — um novo projeto: a requalificação da praceta junto às Portas de Mértola e agência do banco Caixa Geral de Depósitos. Confesso que, ao ver o anúncio, fiquei perplexo. Por alguns instantes, não consegui sequer reagir. Depois, tentei racionalizar e questionar-me: como é possível gastar 118.000€ na requalificação de um espaço que, objetivamente, não precisa de ser requalificado?
Se não vejamos:
A praceta tem buracos? Não.
O acesso de peões é difícil ou limitado? Não.
Tem falta de árvores ou arbustos? Não.
Tem falta de zona de descanso? Não.
Então o porquê da obra?!

IMAGENS 3D DO PROJETO ANUNCIADO VIA FACEBOOK
E depois, olho em volta e vejo uma cidade com ruas degradadas ou por construir, pracetas ao abandono e zonas sem qualquer arranjo, árvore ou zona de lazer, que mais parecem ter saído de um país em desenvolvimento, sem condições, conforto e dignidade. Deixo 6 exemplos que me chocam profundamente, e que, até hoje, continuam sem solução — não por falta de necessidade ou recursos financeiros, mas, ao que tudo indica, por falta de vontade política.
Rua junto ao campo de futebol do Bairro da Conceição sem calçada e iluminação, apenas com lama

Rua/estrada de acesso a várias empresas no parque industrial de Beja com lama e buracos

Rua no Bairro das Saibreiras, onde residem dezenas de famílias de Beja

Rua do Fomento, utilizada para o acesso a habitações, lojas, ginásios e empresas

FOTOS: MAIS BEJA
E o município decide, inexplicavelmente, investir uma quantia considerável de dinheiro público num local que, objetivamente, não carece de qualquer intervenção?! Esta é a prova clara e preocupante da falta de visão e de prioridades por parte do atual executivo.
O PS local vive numa bolha de “sucessos” autoproclamados, onde apenas os militantes do PS parecem aplaudir os últimos quatro anos de governação de Paulo Arsénio e da sua equipa.
Para o resto dos cidadãos, o sentimento só pode ser de frustração e incredulidade.


