
FONTE: BEJA CONSEGUE
Uma das bandeiras do movimento Beja Consegue ao longo dos últimos anos na oposição e assumido no seu programa eleitoral nas últimas eleições autárquicas, é a construção da Circular Sul de Beja. Agora, no poder autárquico, urge analisar a viabilidade e, acima de tudo, o financiamento desta obra estruturante.
A circulação automóvel em Beja enfrenta um grande estrangulamento, entre a zona Este, onde se encontra o parque industrial, vários bairros como da Esperança, Conceição, Pelame e Quinta Del Rey, Beja Retail Park, que este ano irá expandir-se, além de inúmeras empresas que se mudaram para esta parte da cidade, e a zona Oeste/Centro da cidade. A circulação automóvel entre estas duas zonas, como já escrevi AQUI e AQUI, apenas é possível através de uma ponte velha e obsoleta sobre a linha ferroviária, na Rua Dom Afonso III. Além desta, existe duas opções mas que não são alternativas seguras e rápidas: 1) uma estrada péssima, cheia de lombas e estreita na Rua Sebastião de Jesus Palma e 2) saindo da cidade pelo IP2 e voltando a entrar pelo IP8, algo absurdo, uma vez que para circular dentro da cidade, é necessário sair e voltar a entrar, duplicando o número de quilómetros percorridos, sendo esta uma alternativa ineficiente e poluente.
A proposta do Beja Consegue consiste na construção de uma estrada que ligue o IP8 (rotunda do Regimento de Infantaria nº 1/estrada para Castro Verde) ao IP2 (estrada para Serpa), contornando a cidade e criando pontos de entrada aos bairros do Mira Serra, Pelame e Quinta del Rey.
“Com a Circular Sul, Beja ganha fluidez no trânsito urbano, melhores acessos para residentes e empresas, maior segurança rodoviária e uma nova capacidade de expansão económica e habitacional. Trata-se de uma obra com impacto direto no presente e no futuro da cidade.”
(Programa eleitoral do Beja Consegue, pág. 52)
O desenho da estrada (assinalado a vermelho na imagem), não sendo oficial e desenhada apenas com a informação recolhida em notícias e no programa eleitoral do Beja Consegue, iria ter cerca de 4,3 km, unindo o IP2 ao IP8 pelo lado Sul/Este.

FONTE: GOOGLE IMAGENS (EDITADO)
A questão que importa, é o seu custo e quem irá pagar o projeto e construção da mesma.
O custo médio de construção de uma estrada nacional ou variante em Portugal situa-se entre 2,5 milhões e 4 milhões de euros por quilómetro, dependendo da complexidade do terreno, expropriações, acessos, movimentação de terras, obras de arte (pontes/viadutos) e sinalização. Para um troço de 4,3 km, o custo médio (cenário padrão) seria de cerca 13 milhões de euros.
Como exemplo, temos a nova variante de Aljustrel, atualmente em construção, com uma extensão de 4,4 km, uma faixa em cada sentido, portanto, muito semelhante ao cenário de Beja, que tem um custo de 13 milhões de euros, igualando o cenário padrão que abordei no parágrafo anterior. Esta obra, a cargo da Infraestruturas de Portugal, representa um enorme investimento, apenas possível graças ao financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O município de Beja, sendo capital de distrito, não tem condições financeiras para uma obra desta magnitude. Assim, importa esclarecer onde o executivo irá conseguir o financiamento para esta obra: Do Orçamento de Estado ou de fundos europeus? E se não houver nenhuma ajuda destas duas entidades, ficará por cumprir?
A Circular Sul de Beja é, como várias outras obras públicas, uma necessidade fundamental, mas a sua execução será, acima de tudo, um novo teste à capacidade de influência política e de gestão do novo executivo de Beja, bem como o real valor e interesse do atual Primeiro-Ministro Luís Montenegro por Beja.


