Um dos temas que abordo com frequência é o espaço público. Beja, apesar de ser uma cidade capital de distrito, possui um espaço urbano pouco pensado para as pessoas. Há demasiados locais onde a prioridade parece estar nos carros e nas habitações, enquanto faltam espaços verdes, árvores, estacionamento devidamente organizado, limpeza, manutenção do espaço público e criação de locais de convívio e de prática desportiva acessíveis a toda a população, e não apenas os equipamentos destinados aos clubes e aos seus atletas.
A dimensão relativamente pequena da cidade acaba por ser uma espécie de “compensação”, conseguindo deslocar-nos de forma rápida e fácil. Mas isso não deve servir para esconder as deficiências que existem no espaço público.
Por isso, em vez de escrever mais um texto sobre o assunto, deixo-vos um vídeo que mostra um exemplo de como pode ser uma simples praça de bairro, neste caso na cidade de Sevilha:
Não é preciso inventar nada. Não é preciso ter grandes obras ou equipamentos extraordinários. É preciso pensar o espaço público para as pessoas: árvores, sombra, zonas verdes, bancos, espaços de encontro, parques infantis e condições para conviver e usufruir do espaço. É este tipo de intervenção que também faz falta em muitos bairros de Beja.
Beja precisa, naturalmente, de cultura, festas e eventos. Mas uma cidade não se constrói apenas com eventos. Constrói-se todos os dias, com obras duradouras, nas ruas, nas praças, nos jardins e nos bairros onde as pessoas vivem.
E, olhando para a mais recente reunião de Câmara, disponível no YouTube, fica a sensação de que continuamos a discutir demasiado aquilo que acontece pontualmente e pouco aquilo que fica todos os dias: a qualidade do espaço público e a forma como podemos viver a cidade, tendo em conta o que tem ou não.


