
Em Beja, tal como muitas outras cidades em Portugal, assiste-se ao abandono de parte significativa do seu património histórico, arquitetónico e religioso. Trata-se de um legado que poderia hoje desempenhar um papel importante no reforço do sentimento de pertença e orgulho local, além de representar uma oportunidade de valorização cultural e turística para a cidade.
Infelizmente, e à semelhança de outros casos que já tive oportunidade de referir, estes espaços são frequentemente deixados à degradação. Em contraste, o poder local opta por canalizar dezenas de milhares de euros para outros eventos e iniciativas, como aconteceu recentemente com a corrida automóvel Baja TT Montes Alentejanos, amplamente apoiada e promovida pelo antigo presidente da Câmara Municipal de Beja, Paulo Arsénio.
O exemplo que hoje partilho é o estado atual da Ermida de São Sebastião, um imóvel do século XVII situado nas imediações da Praça de Touros de Beja. O edifício apresenta claros sinais de abandono e total ausência de manutenção: as paredes encontram-se praticamente sem tinta ou reboco, a porta não demonstra qualquer tipo de manutenção ou cuidado, e o telhado revela acumulação de sujidade e vegetação, danificando desta forma toda a cobertura.
É evidente que nenhuma autarquia consegue requalificar em simultâneo todo o património existente, mas o mínimo exigido é uma manutenção regular do mesmo. Agora, permitir que edifícios históricos se degradem progressivamente até à ruína é inaceitável. Trata-se não apenas de uma perda material, mas também de um profundo desrespeito pela história da cidade e pelas gerações que, ao longo de séculos, contribuíram para a sua construção e identidade de Beja.


