Faltam acessos rodoviários em Beja e a Câmara Municipal nada faz

Há muitos aspetos da nossa cidade, que são surreais. Alguns são simples e óbvios de constatar. Outros, com um olhar atento, é possível reparar. Outros há, que só uma reflexão séria permite notar.

Imagine, caro cidadão bejense, que está no centro, na zona oeste (ponto A), norte (ponto B) ou sul da cidade (ponto C) e quer ir, de carro, para outra zona da cidade, onde se encontra o Bairro da Quinta Del Rey, Bairro do Pelame, Bairro da Conceição, Parque industrial, Beja Retail Park ou Bairro da Esperança (ponto D/bola vermelha). Que opções rodoviárias têm?

Analisando a questão, esta está logo mal colocada, porque está no plural (“opções”). Para ir do ponto A, B ou C para o ponto D, só tem uma opção. Sim, para ir para a zona do parque industrial, onde se situam grande parte das empresas e onde surgem novas habitações, apenas há uma opção de acesso: Rua General Teófilo da Trindade ou Rua Pedro Vítor -> Rua Dom Afonso III (seta amarela). Acabou.

Beja, é uma cidade pequena, mas está cortada. E o problema não é a linha de comboio, porque isso é uma barreira psicológica. Por todo o mundo, há cidades atravessadas com linhas de comboio, nas quais são colocadas em prática medidas para atravessar as linhas de comboio com total segurança e fluidez, como simples passagens desniveladas. Mas por cá, seria até mais fácil uma vez que a linha de comboio que atravessa grande parte da cidade (linha de comboio Beja-Funcheira) está desativada.

A alternativa é sair de Beja, apanhar a IP2, depois o IP8 e entrar em Beja. Esta hipótese duplica a distância (em quilómetros), além de na prática o condutor ter de sair de Beja para voltar a entrar em Beja.

Recentemente, foi proposta a pavimentação da estrada do Sacramento (linha amarela na imagem de baixo), que liga a estrada de acesso à Vila Azedo ao Bairro do Pelame. Esta semi-solução, implica a saída da cidade, circular 1.500 metros, e voltar a entrar na cidade.

Os casos mais graves, de autêntica segregação da cidade devido à ausência de acessos rodoviários e pedonais seguros e confortáveis, são o Bairro de São João (estrada para a Vila Azedo) e o Bairro das Saibreiras.

Nada conheço dos ex-vereadores e ex-responsáveis/chefes de departamento da Câmara, mas uma coisa sei e tenho a certeza: reflexão, planeamento e concretização de novos acessos rodoviários nunca existiu em Beja.

O único trabalho concretizado, foi a repavimentação das vias de acesso a algumas aldeias do concelho, deixando a cidade, onde vive a maioria da população do concelho, esquecida.

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