Legislativas 2024: Análise aos resultados em Beja


Partido Socialista (PS)
PS perdeu. Perdeu em votos e um deputado por Beja. Menos 5.125 votos e menos 1 deputado. Não há volta a dar.
A responsabilidade da crise atual e do crescimento do Chega é do PS e do governo. Defraudou os portugueses (excepto os pensionistas), não cumpriu as promessas, não soube estancar a degradação dos serviços públicos ou melhorar a qualidade de vida da classe média, com uma descida forte dos impostos. A maior vitória do Portugal democrático, além da liberdade, é o SNS, que se encontra moribundo. Nem a paz social, comum entre PS e portugueses, o atual governo soube criar. Preferiu atacar médicos, enfermeiros, professores, forças da segurança, militares, funcionários da justiça e todos os restantes funcionários públicos.
António Costa, Governo e o PS foram incompetentes, trapalhões, desleixados e arrogantes. E assim, perderam estrondosamente. Não há volta a dar a isto.
Há uma gigantesca defraudação das expectativas dos bejenses pelo PS. Em Beja, sempre houve o sentimento que o distrito não se desenvolvia porque não elegia mais deputados pelo PS e a Câmara Municipal não era governado pelo partido do governo. Pois bem, até ontem, Beja tinha 2 deputados do PS e a Câmara de Beja é da mesma cor que o partido que governa e, no entanto, nada se concretizou nos últimos 9 anos. Excluindo o regadio do Alqueva, que impactou apenas alguns, nada se concretizou no distrito. E as pessoas votaram em protesto.

Em Portugal, nascem cada vez menos bebés e ficam ainda menos para trabalhar.

Hoje, os bejenses e o resto do país entregou a fatura ao Partido Socialista.

Partido Comunista Português (CDU)
Quem aparece no boletim é a sigla “CDU”, mas não vale a pena enganar. Quem foi a votos foi o PCP. Este, foi o maior derrotado da noite em Beja, passando de 2º lugar (2022) para 4º. Ontem, uma alta figura do PCP disse na RTP1, num comentário à perda do único deputado por Beja, um bastião do partido, que o PCP não perdeu em Beja, porque teve 15.000 votos. É falso, porque teve 11.570 votos, menos 872 votos e perdeu o único deputado. Ficou a zero. Há 9 anos (2015), teve 18.592, menos 7.022 votos comparativamente a ontem (2024). Só uma visão cega e imutável, pode afirmar algo falso. O mundo mudou, excepto o PCP. O Partido Comunista Chinês mudou, passou de comunista para capitalista. E todos os outros antigos regimes mudaram, excepto o PCP. Sem dúvida, ruma à sua extinção.
PCP perde um bastião, que dificilmente voltará a recuperar. Nos vários concelhos do distrito de Beja, o Chega foi o 2º partido mais votado, e em alguns, a AD foi o 3º partido mais votado, empurrando a CDU/PCP para o 4º partido para votado. Nem no pódio já surge.
Poderia realizar várias conjeturas sobre a derrota do PCP em Beja, com a transferência de votos do PCP para o Chega, a presença do PCP na geringonça, entre outros factos. Não. O PCP perdeu porque ninguém entende e concorda com a visão comunista totalitária que defende o PCP. O partido fala como se tivesse em 1970. Muitas décadas decorreram, o mundo mudou e o PCP repete a mesma cassete. É impossível os jovens votarem num partido assim.

Partido Social Democrata (AD)
A AD teve um resultado positivo, apesar de não brilhar. Ficou em 3º lugar, elegendo um deputado que não tinha, e superou o PCP.
A nível nacional, foi quase uma derrota, com 29,5% dos votos (79 deputados) face a 28,7% do PS (77 deputados). E hoje, quando escrevo esta publicação, o PS ainda pode ganhar, com os votos da Europa e Fora da Europa, que elege 2 deputados cada círculo (total de 4).
A semelhança no boletim de voto da sigla “AD” com “ADN” foi vergonhosa e um erro infantil de quem aceitou tal boletim. Como não conseguiram prever? Que responsabilidades tem a Comissão Nacional de Eleições? A somar a isso, fez uma coligação com o Partido Popular Monárquico (PPM), liderado por Gonçalo da Câmara Pereira, que além de não ter ajudado a angariar votos, ainda conseguiu ridicularizar a AD em cada comentário para um microfone. Por aqui se vê a falta de inteligência e qualidade nos principais partidos que governam este país.

Chega (André Ventura)
Um partido unipessoal, conseguiu eleger uma deputada em Beja, ficando em 2º lugar. A maioria que votou não conhece ou sequer ouviu as propostas da candidata por Beja.
O Chega é a revolta dos pobres, dos trabalhadores que trabalham 35/40 horas ou mais por semana e não conseguem pagar as suas despesas essenciais, dos dececionados pelo estado do Estado, da sensação de insegurança difundida pelas redes sociais em fake news, sendo que estamos no topo do ranking mundial dos países mais seguros do mundo, dos descontentes face aos políticos que muito prometeram e nada cumpriram na região de Beja, dos jovens que não conseguem comprar casa. O Chega é o voto de protesto. Um milhão de portugueses. É muito. Se o PS e o PSD não mudarem, abrirão caminho para o Chega governar um dia.

Portugal ficou mais frágil. E quem votou Chega, um partido anti-sistema, não percebeu isso. Agora, teremos um período de ingovernabilidade.

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