
FOTO: MAIS BEJA
Beja enfrenta um problema sério e preocupante ao nível da limpeza urbana. Um problema que envergonha a todos: moradores, comunidade, poder político local, serviços públicos e empresas intermunicipais.
Quero relatar um episódio vivido há poucas horas e que ilustra bem a dimensão do problema. Esta manhã, ao dirigir-me ao contentor molok perto de minha casa para depositar o lixo indiferenciado, deparei-me com uma cena que, infelizmente, já se tornou habitual: sacos de lixo doméstico com restos de comida espalhados no chão, resíduos recicláveis largados junto ao contentor errado, peças automóveis, móveis velhos, brinquedos partidos e roupa inutilizada. Tudo depositado no chão, encostado ao molok, como se aquele espaço fosse ele próprio uma lixeira a céu aberto.
Como sempre, coloquei o meu lixo no contentor certo, separei o reciclável e recolhi o lixo espalhado à volta. Lixo de outras pessoas que, por preguiça ou pura falta de civismo, não tiveram vontade de levantar uma tampa.
Depois disso, dei um curto passeio pelo bairro e, por acaso, voltei a passar junto ao mesmo contentor cerca de 20 ou 30 minutos mais tarde. Para minha perplexidade — e desilusão — o cenário de desleixo já tinha recomeçado. No breve intervalo de tempo desde a minha passagem anterior, alguém ali tinha deixado aparelhos eletrónicos, a tampa de uma mala de carro e caixas de arrumação partidas. E não, não era por não caberem no contentor; era por pura preguiça, comodismo e falta de civismo.
O lixo nas ruas, as garrafas e latas abandonadas, o mau cheiro junto aos contentores, a fraca taxa de reciclagem comprovada por dados da Resialentejo, nada disso aparece ou acontece por magia. Tudo isso é consequência direta de quem aqui vive e não respeita a cidade, a saúde e o bem-estar em comunidade.
A culpa não é dos serviços públicos, mas sim de quem decide que o espaço comum pode ser tratado como lixeira. É tua. E é de todos os que habitam esta cidade e que, diariamente, ignoram as regras básicas de convivência e respeito pelo espaço comum.
Se Beja está suja, é porque quem cá vive suja. E enquanto continuarmos a apontar o dedo aos outros, em vez de olhar para o que fazemos todos os dias, nada mudará.
A fotografia que acompanha este texto não retrata o caso concreto que relatei, servindo apenas de exemplo geral da situação em Beja.


