
FONTE: MOVIMENTO BEJA MERECE +
Portugal tem várias idiossincrasias. Uma particularidade nossa, do “tuga”, é a vaidade de querer mostrar-se mais e melhor que os outros, mas não tem posses ou intelecto para tal. Isto vem a propósito do Governo de Portugal, ir despender do erário público 100 milhões de euros (50 milhões por ano) para trazer a competição de carros Formula 1 a Portimão em 2026 e 2027.
Ao mesmo tempo, a administração pública mantém-se envelhecida, desatualizada, desorganizada e insuficiente para garantir o acesso digno e de qualidade aos serviços públicos essenciais. A Polícia de Segurança Pública (PSP) não tem esquadras adequadas, as escolas não conseguem preencher vagas de professores e pessoal auxiliar, e os hospitais não conseguem contratar médicos ou enfermeiros suficientes para garantir um atendimento adequado. O INEM, com seus recursos e sistemas obsoletos, continua a ser um reflexo de uma estrutura que não se moderniza, gerando escândalos de forma periódica, devido a falhas grosseiras no atendimento da população portuguesa.
Além disso, a cidade de Beja continua sem infraestruturas básicas, como autoestrada, uma linha ferroviária digna e de qualidade, e a expansão do único hospital do distrito. Mesmo com essas carências gritantes, o Estado encontra, de forma célere, recursos para gastar 100 milhões de euros em apenas dois anos para financiar uma corrida de carros.
É este o retrato de uma classe política que continua a falhar nas suas responsabilidades fundamentais, ao mesmo tempo que se dedica a projetos que pouco ou nada acrescentam ao bem-estar das pessoas. Esta disparidade entre o que é essencial e o supérfluo é, infelizmente, um reflexo do estado de um país que tem hábitos de rico, mas que, na realidade, ainda sofre com uma pobreza estrutural na sua economia e serviços públicos. Não podemos surpreender-nos, portanto, que movimentos populistas, que prometem uma ruptura com este status quo, ganhem força em Portugal.


