8 anos de Paulo Arsénio: Análise

Esta publicação pretende realizar uma análise, com base em factos e evidência, sobre o mandato do atual presidente da Câmara Municipal de Beja, Paulo Arsénio. Inicialmente, seria apenas sobre o atual mandato (2021-2025), mas depois de ver os vários outdoors na cidade, a mostrar o trabalho dos últimos 8 anos, decidi alargar o período de avaliação.

Gostaria que esta publicação fosse o inverso do meu sentimento, mas a realidade é sempre honesta e, neste caso, dura. Confesso que tive algumas expectativas sobre o atual executivo, com Paulo Arsénio e Rui Marreiros, como vice-presidente da Câmara Municipal. Senti, no início, que haveria alguma esperança, um impulso, um progresso que, juntamente, com o facto do Governo central ser do Partido Socialista, poderiam significar progresso, investimento e uma nova ambição para Beja. Infelizmente, a realidade mostrou-se muito aquém.
Beja não se cumpriu. Nem o programa a que o atual executivo municipal se propôs, mesmo com as várias afirmações dos deputados do Partido Socialista (PS) e do governo central. O atual mandato, bem como o anterior, pode ser definido como “micro”. Micro-obras, micro-mudanças, micro-estratégia e micro-evolução na economia, cultura e qualidade de vida.

Em 8 anos, as obras de destaque do atual presidente foi a requalificação da piscina municipal de Beja, do mercado municipal de Beja, de várias estradas às aldeias do concelho e, em parceria com a EDIA, a construção da praia fluvial dos Cinco Reis. Ou seja, quatro grandes obras em 8 anos, sendo que apenas uma foi nova. Na atual campanha, visível em vários outdoors, quis colocar outras obras, como o novo edifício da CEBAL, que não está construído ou a requalificação do Museu Regional de Beja, que também não está concluída e é financiada, em grande parte, por fundos europeus.

Mas mesmo nessas obras, houve falhas. Excluindo o mercado municipal, sinto que a Câmara Municipal fez aquilo que podia, sendo que o seu sucesso ou não, depende da iniciativa privada, ou seja, da qualidade dos negócios e capacidade de atração de clientes.
No caso da piscina municipal, há falhas. A plataforma de saltos, uma imagem de marca da piscina de Beja, está encerrada. Praticamente não há chapéus de sol, não existindo sombra na zona relvada. Há vários azulejos soltos em redor do tanque de água e os blocos de partida para as competições de natação, são diferentes entre si e em algumas pistas, não existe.
A praia fluvial dos Cinco Reis, apresenta acessos rodoviários inaceitáveis e vergonhosos. Neste caso, deveria ter sido concretizada a colocação de uma estrada em alcatrão de Beja até à praia fluvial. De certo, esta pequena obra atrairia mais utilizadores ao espaço público.
As estradas requalificadas até às aldeias do concelho, pouco depois de serem inauguradas, apresentaram falhas e defeitos. A justificação por parte do presidente do município, foi a circulação de camiões. A Câmara Municipal de Beja, com técnicos e engenheiros, não sabe que devido à agro-indústria na região, existem camiões carregando toneladas de amêndoa e azeitona a circular no concelho?!
As restantes obras ou mudanças positivas, foram micro. Micro na dimensão e no impacto das pessoas. Não houve um efeito transformador capaz de aumentar a qualidade de vida das pessoas, inovar ou trazer uma transformação na cidade e no concelho

Muitas vezes, o presidente Paulo Arsénio preocupou-se em dar explicações para o que não fazia, do que em resolver os problemas da cidade. Há e haverá limitações, regras, burocracias, contra-tempos e falta de seriedade de empresas privadas que limitam e dificultam o trabalho de uma Câmara, mas há obras, que o município prometeu e não fez, como o skatepark, o Museu de Banda Desenhada ou melhoraria o centro histórico, que o atual presidente refere que fez ao limpar e requalificar cerca de 250 candeeiros de iluminação pública do centro histórico. É positivo, mas não chega. É poucochinho.
Também há que referir a não concretização da requalificação do largo Caixa Geral de Depósitos, da construção da rua junto à nora do parque industrial de Beja, monumento aos bombeiros voluntários, que iria ficar na rotunda junto ao McDonald’s de Beja, expansão do parque industrial, Fórum Romano de Beja, extensão do Jardim de Bacalhau ao longo da antiga bomba de gasolina da Shell, requalificação da envolvente dos campos sintéticos e da piscina coberta, requalificação paisagística da Ermida de São Pedro, que continua a ser um terreno de terra batida e pasto, dando uma péssima imagem à porta da cidade de Beja ou beneficiar a Ermida de São Sebastião. Tudo promessas nunca concretizadas de forma incompreensível, uma vez que excluindo o Fórum Romano, todas as restantes obras envolvem apenas algumas centenas de milhares de euros, sendo que só para este ano o município de Beja tem um orçamento superior a 64 milhões de euros.

Uma área em que o atual mandato foi um gigante falhanço e incompreensível para uma Câmara Municipal, é a construção de ruas e estradas na cidade. Neste quesito, em 4 anos, as únicas calçadas construídas foram na Rua de São Sebastião, Rua Jorge Vieira e Rua General Vasco Gonçalves e parte da Rua Dr. Álvaro Cunhal. Existem outras ruas na cidade, como no Bairro das Saibreias, Bairro da Conceição ou no quarteirão onde se situa o futuro Palácio da Justiça de Beja, que não têm calçada e isso é um autêntico falhanço, que em 8 anos deveria ter sido resolvido.


O ponto-chave porque Paulo Arsénio ganhou a Câmara Municipal

O ponto-chave ou um dos motivos pelos quais o PS ganhou as eleições autárquicas há 8 anos, foi o facto de  muitos bejenses ter pensado que sendo o PS o partido a governar o país, ter um presidente de câmara da mesma cor política, iria desbloquear os principais investimentos na cidade e região, com capacidade transformadora na qualidade de vida dos bejenses e empresas. Nada mais falhado e decepcionante: a A26 não se fez, a eletrificação e novos comboios não aconteceram, expansão do Hospital José Joaquim Fernandes nunca se deu início e a requalificação do IP8, apesar de ter sido prometida e projetada pelo PS, deu-se início com o Governo da AD, e esta, afinal, será  apenas uma repavimentação da estrada e construção de duas circulares a duas localidades, tendo-se iniciado este ano. Ou seja, aquilo que para muitos era um ponto decisivo, alterando o seu sentido de voto, tornou-se uma gigantesca decepção.

Hoje, tudo está pior, porque nada foi feito pelo executivo do Partido Socialista, ao nível do Governo central. Neste caso, o ex-Primeiro-Ministro António Costa deu um péssimo sinal, uma vez que das poucas vezes que veio a Beja, viajou de avião até ao aeroporto de Beja, não transitando na maldita e vergonhosa estrada que liga a capital do Baixo Alentejo à capital do país, Lisboa.


O município das micro-obras

Micro-obras, é como resumiria o mandato do atual Paulo Arsénio. Para escrever esta publicação, fui visualizar os últimos 4 anos de publicações na sua página de Facebook. E aqui, há logo uma tremenda falha, que é o facto de o principal meio de acesso a informação sobre a Câmara Municipal de Beja, ser a página pessoal do presidente, quando deveria ser a página do município. Se um bejense quiser informação atualizada e vasta do município, é lá, na página pessoal do presidente.

Através da sua página, fica claro que Paulo Arsénio foi forte nas pinturas de edifícios públicos, muros, muretes, coretos, WC e afins. Pode não haver ar condicionado nas escolas, bebedouros públicos, árvores nas caldeiras, ruas limpas, parques infantis inovadores, ciclovias, campos para a prática de desporto ou ruas com calçada, mas pinturas, houve e muito! E aqui reside o grande falhanço do trabalho autárquico, no qual as micro-obras se cingiram a pinturas. Atentem no acesso pedonal, por exemplo, ao campo de futebol do Bairro da Conceição ou aos campos de futebol sintético onde treina o Despertar e o Desportivo. É uma vergonha nunca resolvida, que seria uma micro-obra, mas que não foi realizada.

Relativamente ao resto, o atual executivo preferiu substituir intervenções de fundo (obras de reabilitação e novos espaços) por coisas efêmeras (caminhadas, festas, concertos, ralis, festinhas e foguetes).

Paulo Arsénio, deveria ter aprendido algo mais com o Presidente da União de Freguesia de Salvador e Santa Maria da Feira, António Ramos (PS), que na sua área de jurisdição, sempre zelou pela limpeza, manutenção do espaço público e criação de zonas de lazer públicas, com a instalação de equipamentos públicos como bancos, parques infantis, zonas pedonais e instalação de iluminação pública. Um trabalho de melhoria na freguesia e em prol dos moradores, com um impacto duradouro no tempo, ao contrário do trabalho realizado por Paulo Arsénio.

Outro facto de falta de manutenção, é o site oficial da Câmara Municipal de Beja, lançado pelo atual executivo. A newsletter não funciona, as notícias sobre o concelho quase nunca são lá publicadas e o separador que informa sobre o estado das obras encontra-se desatualizado.


Porque estamos onde estamos

Beja é o que é, não por azar, localização, nome, clima ou outro factor externo qualquer. Somos o que somos pelas pessoas que vivem, trabalham e governam a cidade. Um tema simples e muito discutido nos últimos 4 anos, é a limpeza das ruas e o lixo acumulado juntos aos moloks e ecopontos. Neste problema, o principal responsável são os próprios moradores da cidade. Quando se vê moradores a colocar o saco do lixo fora do molok, a atirar lixo para o chão, a colocar os móveis e pneus no espaço verde ou na berma da estrada, a colocar o saco do lixo doméstico na papeleira, ficando de imediato cheio, a culpa, não é da Câmara ou do seu presidente. Onde o município falha é na fiscalização, punição e maior sensibilização das pessoas para a correta deposição do lixo e manutenção do espaço limpo. Outra falha, é não haver mais moloks, em zonas com maior pressão de acumulação de lixo ou a quase inexistência de papeleiras pela cidade.

Um ponto vital, que nos mantém o concelho afastado de grandes obras públicas, é a fraca crítica do atual executivo do munícipio ao anterior Governo de António Costa, que governou o país nos últimos 8 anos. Ao contrário do que exige o movimento Beja Consegue, que todos os vereadores deveriam unir-se e exigir aquilo que o concelho merece e necessita, Paulo Arsénio ficou sempre agradado que as reinvidicações ficassem registadas apenas em papel, tornando-se simples promessas nunca concretizadas. Não fossem os fundos europeus, e Beja continuaria sem ressonância magnética no hospital, requalificação do IP8 e nova residência de estudantes. Aos que criticam a Europa e a Comissão Europeia, é graças a essa grande instituição supranacional que Beja tem recebido investimentos públicos.

Se o concelho e a toda a região já são pequenos, e se os poucos não se unem, então, nunca conquistaremos nada.

Campanha eleitoral

Em 8 anos, como aconteceram poucas obras com impacto na cidade, o Partido Socialista tenta puxar obras que não são suas, para a campanha autárquica, como tem acontecido com a nova residência de estudantes do IPB. Esta obra, foi financiada por fundos europeus, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e destina-se a estudantes que vêm de fora da cidade e do país. Nos debates, o atual presidente vai buscar a eletrificação da linha de comboio e a aquisição de novos comboios, sendo que até ao momento, não chegou nenhum novo comboio, nem se deu início à obras de eletrificação, construção do novo hospital privado, o novo Beja retail park, entre outras obras de iniciativa privada ou do Estado, demonstrando o vazio que foram os seus dois mandatos.

Outro investimento realçado por Paulo Arsénio, foi o aumento do investimento da limpeza urbana, uma medida imposta pelo movimento Beja Consegue, atualmente na oposição.

Na atual campanha eleitoral de Paulo Arsénio, o grande slogan é SERIEDADE e NOVO CICLO, visível em vários outdoors e redes sociais. Não dúvido da sua seriedade, mas isso não resolve os problemas da cidade, nem melhora a qualidade de vida dos bejenses, nem gera economia ou empregos. Portanto, ao invés de prometer algo novo e ambicioso, diz o que todos sabemos sobre o próprio, que é uma pessoa séria, ficando claro que há zero ambição ou visão para o concelho de Beja, dizendo algo vazio. Promete um NOVO CICLO, sendo importante perguntar ao atual presidente porquê um novo ciclo? Os anteriores falharam? Há uma mudança de estratégia e equipa? Que diferença há? Que novidades traz? Recentemente prometeu a construção do skatepark, museu de banda desenhada e mais espaço para uma nova zona industrial, mas isso está escrito no programa eleitoral em 2021, ficando a pergunta: onde está a novidade e porque não concretizou tais obras nos últimos 4 anos? A novidade, no PS, é a requalificação do estádio Flávio dos Santos, mas essa proposta vem do movimento Beja Consegue desde 2021, à qual deixei a minha opinião negativa a tal investimento megalómano.

Em resumo
Paulo Arsénio fez algumas obras, ao contrário do ex-presidente Pulido Valente. Mas também não trouxe um efeito transformador e amplo como o ex-presidente Carreira Marques, mesmo tendo tido um orçamento de 369 milhões de euros em 8 anos! Fez pouca obra, não resolvendo os problemas da cidade e dos bejenses, nem foi capaz de minimizar as carências provocadas pelo abandono do Governo central. Além disso, não  cumpriu, em grande parte, o que prometeu e escreveu no programa eleitoral de 2021, e ganhou as eleições, como demonstro aqui, sendo que teve orçamento mais que suficiente para tal.

Há falhas que são incompreensíveis numa capital de distrito e que profundamente me choca. Caldeiras sem árvores, ruas sem calçada, estradas com buracos, ausência de campos para a prática de desporto informal, sujidade permanente na cidade, ausência de manutenção dos espaços verdes ou pontos turísticos fechados não são aceitáveis, numa Câmara Municipal com mais de 600 trabalhadores e orçamentos municipais de várias dezenas de milhões de euros todos os anos.

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