Que Portugal é um país desigual, já todos sabemos. Que o interior de Portugal, é subdesenvolvido devido à enorme escassez de investimento público também sabemos. Que os políticos só se interessam pelas regiões menos povoadas em períodos de eleições, com inúmeras promessas, mas quando são eleitos e chegam à governação, nada concretizam, também sabemos. Que o distrito de Beja tem sido esquecido nas últimas décadas de grandes investimentos públicos, também todos sabem, vêm e sentem diariamente o abandono a que somos votados.

Agora, o que aconteceu, foi algo novo. Com o lançamento, em várias décadas, de uma grande obra do Governo central, que consiste na requalificação da estrada que liga Beja a Lisboa, afinal, pouco ou nada irá resolver aos bejenses e baixo-alentejanos.
A história, que é um facto e que virou polémica, com várias críticas do PS contra o PSD e vice-versa, está relacionado com a requalificação do IP8, entre Beja e a Santa Margarida do Sado, que, por razões que desconheço, foi dividida em 2 obras: requalificação do IP8 entre Beja e Ferreira do Alentejo, numa distância de 22,5 km e outra obra para a requalificação do IP8 entre Ferreira do Alentejo e Santa Margarida do Sado, numa distância de 15 km. Estas obras foram amplamente divulgadas pelas autarquias de Beja e Ferreira do Alentejo, políticos e empresa pública Infraestruturas de Portugal.


A polémica, que gerou aceso debate entre os principais partidos, tanto a nível nacional como local e uma tremenda indignação, desilusão e sentimento de engano na população do Baixo Alentejo, é de que a obra atualmente em execução no IP8, não será uma requalificação, mas sim uma repavimentação ao longo de 37,5 km e construção de duas variantes, uma em Beringel e outra em Figueira dos Cavaleiros. Ponto final. Portanto, a estrada entre Beja, capital de distrito e Lisboa (via A26 e A2), irá continuar a ser uma estrada sem bermas amplas, com árvores junto ao piso, rotundas na estrada, sem várias zonas com dupla faixa de rodagem para permitir a ultrapassagem segura, ausência de passagens superiores para evitar cruzamentos perigosos e aumentar a segurança rodoviária, e diminuir o tempo no trajeto entre Beja e Lisboa não será concretizado. Ou seja, não teremos uma itinerário principal (IP). Apenas as duas variantes, a serem construídas, cumprem os critérios técnicos de IP.


Nesta obra, houve um claro embuste aos baixo-alentejanos e falta de competência ou desconhecimento dos presidentes de Câmara de Beja e Ferreira do Alentejo de exigirem mais. Como bejense, sinto-me profundamente enganado pelo atual presidente do município de Beja, sua equipa e funcionários da Câmara Municipal de Beja envolvidos na discussão do projeto, pelo facto de ninguém ter explicado ou referido que esta obra não irá melhorar a ligação rodoviária de forma significativa, mas apenas repavimentar a estrada!
Mais uma vez, as ambições e necessidades da população e empresas locais, que precisam de excelentes acessos de comunicação para desenvolverem-se a nível humano, social, segurança e económico, não foram atendidas, apesar das inúmeras promessas ao longo de décadas.

Este é mais um capítulo na história de promessas não cumpridas e de desilusão para as pessoas do Baixo Alentejo. E, mais uma vez, não podemos deixar de perceber o descontentamento generalizado que leva muitos a protestar contra o sistema político, algo que se reflete no crescimento de partidos como o Chega e outros de extrema-direita. A verdadeira questão não é ideológica, mas sim a falta de resposta às necessidades reais da população. Atualmente, anda toda a “esquerda” (PCP, Bloco de Esquerda e Partido Socialista) em Portugal espantada porque as pessoas votam no Chega. Aqui está a resposta, que resultou na eleição de 60 deputados nas últimas eleições legislativas e, nas próximas eleições autárquicas, seguramente, irão eleger muitos vereadores nos 308 concelhos do país.

Por fim, é importante referir que esta obra, apesar de insuficiente, só existe graças ao financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência, ou seja, aos Fundos Europeus, porque mais uma vez o Governo central, não meteu cá – e na totalidade – dinheiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *