Alguém que diga ao ex-presidente que já não é presidente

Alguém, dentro ou fora do PS, que diga a Paulo Arsénio que já não é presidente da Câmara Municipal de Beja. Na vida, é importante saber ganhar, mas também saber reconhecer quando se perde. Na política, é tão importante saber governar como saber fazer oposição. E, acima de tudo, é preciso saber ocupar o lugar que os eleitores nos atribuíram.

Paulo Arsénio está hoje na oposição. E isso aconteceu, não por mérito do vencedor, mas antes demérito do incumbente, que resultou numa escolha dos eleitores, traduzindo uma avaliação do seu próprio mandato.

Transformar a sua página de Facebook num exercício permanente de autoelogio, ou aproveitar as reuniões de Câmara para reivindicar a autoria de praticamente tudo o que foi feito, projetado ou iniciado durante o últimos ano, não lhe fica bem. Há uma diferença entre prestar contas do trabalho realizado e comportar-se como se ainda estivesse a governar.

Quem ganhou recebeu dos eleitores a responsabilidade e a honra de governar Beja durante os próximos quatro anos. Quem perdeu tem igualmente um papel importante a desempenhar: fazer oposição, fiscalizar, apresentar propostas e contribuir para o desenvolvimento do concelho. Mas não confundir oposição com governação, nem memória com propriedade.

Durante os oito anos em que Paulo Arsénio foi presidente, não me recordo de ver os seus antecessores, João Rocha ou Carreira Marques, reivindicarem constantemente a autoria dos projetos e das obras que tinham idealizado, lançado ou concretizado e que o executivo seguinte acabou por aproveitar. Basta lembrar exemplos como o Beja Romana, o Parque da Cidade ou a requalificação do Cine-Teatro Pax Julia.

Porque uma cidade não começa nem acaba num mandato. O trabalho de uma Câmara Municipal é, muitas vezes, a continuação de ideias, projetos e decisões de vários executivos.

A Câmara Municipal de Beja não tem dono. A cidade também não. Beja pertence às pessoas que aqui vivem, trabalham, investem e cuidam dela. Às que aqui nasceram e às que a escolheram para construir a sua vida.

Os mandatos passam. Os presidentes passam. A cidade fica. E é a ela, e aos seus habitantes, que todos devem servir.

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