Beja e o Alentejo perdem habitantes de forma constante, devido à baixa natalidade e saída de jovens qualificados e em idade reprodutiva para grandes centros urbanos e outros países.

Para abordar este tema, é essencial mostrar dados, ou seja, números. Assim, e de acordo com fontes oficiais a população no concelho de Beja em 2011 era de 35 854 habitantes; em 2021 de 33 394 habitantes (-2 460); e em 2023 era de 33 838 habitantes (+444). Fontes: INE, Governo de Portugal e PORDATA.

Se analisarmos os resultados do CENSOS, que é realizado de 10 em 10 anos, observamos no último, realizado em 2021, que houve uma perda de população de 6,86% em comparação a 10 anos antes, com uma perda de cerca 2.500 habitantes. Em uma cidade pequena, tem um grande impacto. Este decréscimo populacional está em linha com a tendência geral do distrito de Beja, que também registou uma diminuição da população no mesmo período.

Vários fatores podem ter contribuído para a diminuição da população na cidade de Beja, como:
Envelhecimento da população: A cidade de Beja tem uma das maiores taxas de envelhecimento do país, com um grande número de pessoas idosas e uma baixa taxa de natalidade.
Êxodo: Muitos jovens migram para outras cidades em busca de melhores oportunidades de trabalho e estudo, não regressando por falta de qualidade de vida e oportunidades de emprego.
Baixo desenvolvimento económico: A região do Alentejo, onde Beja se situa, é uma das mais pobres do país, sem indústria, muito baseado nos serviços públicos e agricultura, trabalhado essencialmente realizado por estrangeiros.

Se compararmos os últimos dados oficiais de 2023, há uma subida de 1,33% da população. Este facto, está ligado ao problema do custo da habitação nas maiores cidades do país, em especial de Lisboa, que tem obrigado vários jovens qualificados a voltarem para Beja, como forma de puderem viver sozinho ou comprar uma casa. Outro factor de aumento da população, também está relacionado com a fixação de imigrantes, que acabaram foi criar negócios e constituir família no concelho.

O problema de perda de população é multifatorial, e está ligado essencialmente a fatores económicos e de ofertas de trabalho bem remunerado. Portugal, continua a ser um país altamente centralista. Sedes de grandes empresas nacionais, empresas estrangeiras e os principais serviços públicos encontram-se em Lisboa, consumindo muita da riqueza e população ao resto do país.

O assunto é sério porque migram ou emigram jovens qualificados da região para serem substituídos por cidadãos menos qualificados e com menos competências. Não sou contra cidadãos que vêm de fora, à procura de emprego, de que a agricultura precisa. Sou sim, contra o facto, de a cidade e a região não reterem os que cá nascem ou não tenha capacidade de atrair jovens qualificados de outras regiões do país, como acontece com Faro ou Braga.
As fontes do problema, além das que já mencionei, são várias. Em Beja, a habitação é cara (não tão cara como outras cidades do país), não existem parques, jardins e parques desportivos por toda a cidade, não há políticas de apoio à natalidade por parte do município de Beja, os acessos rodoviários a Lisboa são inseguros, lentos e péssimos, o comboio é de 1966, apenas servindo para nos envergonhar. Poucas são as pessoas que aceitam circular num comboio desconfortável, lento e sujo, com necessidade de realizar transbordos para chegar até Lisboa. A solução está em, com políticas do Governo e locais, a cidade atrair investimento privado, melhorar os acessos rodoviários e ferroviários, e a Câmara Municipal criar políticas de apoio à natalidade.

Atualmente, está a decorrer a requalificação da estrada entre a A26 e a cidade de Beja, permitindo melhores acessos rodoviários à A2 / Lisboa, mas é preciso mais. É preciso o Governo e as elites, olharem para o país como um todo, em que somos tão pequenos, que instalar uma empresa privada no Alentejo ou Algarve não é longe, criando políticas fiscais positivas para incentivar a sua instalação fora de Lisboa. Além disso, é imprescindível a Câmara Municipal de Beja criar o que nunca criou, que são apoios à natalidade, já existente em vários concelhos do país, bem como criar uma cidade que ofereça qualidade de vida, atraindo residentes e famílias. Depois, é modernizar a linha de comboio, de forma a oferecer um transporte público seguro, fiável, moderno e sem transbordos até Lisboa, facilitando a mobilidade de pessoas e bens.

A criação e implementação de uma estratégia capaz de atrair pessoas e manter as que por cá nascem, com medidas sociais e económicas, é vital para que Beja não perca habitantes e relevância a nível regional e nacional, evitando a morte paulatina da cidade e da região.

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