Parque Verde Acessível: quando a falta de visão e estratégia cria algo sem impacto

Os parques urbanos são essenciais para criar zonas de lazer, manter a ecologia urbana uma vez que criam habitats para a vida selvagem, bem como através das árvores, arbustos e planas limpam o ar e ajudam a diminuir o efeito da ilha de calor urbana, tão vital numa cidade extremamente quente como a nossa. Outro impacto positivo, é a convivência social que se gera entre moradores, sendo promotores da coesão social e o crescimento robusto da comunidade, além do enorme benefício na saúde física e mental das pessoas.

O Parque Verde Acessível, criado em 2024 pela Câmara Municipal de Beja junto ao Bairro da Conceição e ligação entre o Bairro do Pelame e a Quinta Del Rey, de parque verde pouco tem. Não tem uma zona arborizada planeada e lógica, um trajeto pedonal, uma zona relvada, para conseguir descansar, brincar ou realizar atividades físicas.

É um baldio, em que foram colocadas umas mesas com bancos, uma dúzia de árvores e arbustos, que ninguém faz a sua manutenção, sendo que algumas árvores foram derrubadas devido à circulação de camiões que levam aterro para o local e vandalismo, sem que tenham sido repostas. Além disso, quando chove, metade do parque fica coberto de pasto, crescendo até 1 metro de altura, tapando bancos e mesas, ficando intransitável em certas zonas. Não tem qualquer embelezamento ou atrativo capaz de dar algum destaque ao espaço.

Esta foi mais uma micro-obra ao estilo do atual presidente do município, em que se gastou dinheiro, para algo tão fraco em termos de espaço verde, que tanto a cidade precisa, não só para dinamizar esta zona da cidade, mas também para criar espaços verdes fundamentais para a saúde, bem-estar e melhoria da qualidade de vida dos bejenses.

A Câmara de Beja, se tivesse alguma estratégia, planeamento e sentido de modernidade, poderia ter construído um espaço verde com relva, campo de basquetebol, parque infantil, circuito pedonal delimitado (ciclovia) para a prática de desporto e instalado um bebedouro. Mas quase nada aconteceu.
O que se destaca, é a construção no passado de uma ponte em madeira, permitindo o atravessamento do barraco com comodidade e segurança e a recente construção por parte da Junta de Freguesia do Salvador e Santa Maria da Feira de um parque de merendas. Sem dúvida, o melhor autarca eleito no concelho de Beja, é o seu presidente, António Ramos, que tem realizado um trabalho muito positivo no espaço público, mesmo tendo poucos recursos financeiros, como qualquer junta de freguesia.
Em suma, a junta de freguesia, com poucos recursos concretiza mais e melhor investimento do que a Câmara Municipal, com mais recursos.

Há, por parte do executivo do município de Beja, uma gritante falta de ambição e visão para fazer obras com impacto na qualidade de vida, capacidade de atrair e reter residentes, bem como duradouras para a cidade. Tudo o que é executado é micro, como simples pinturas, requalificação de WCs e pequenos arranjos em vários equipamentos municipais.

Outra grande falha crónica e inaceitável, é a deficiente manutenção dos espaços verdes existentes no concelho de Beja, que tem como epicentro o Parque da Cidade José Manuel da Costa Carreira Marques, uma vez que é o que recebe mais visitas, em que semanalmente ouço queixas de bejenses e turistas sobre o mau estado em que se encontra o mesmo.

Em ano de eleições, fica evidente que há fortes possibilidades de o atual presidente perder as eleições, uma vez que não conseguiu trazer uma melhoria e aumento da qualidade de vida para todos os bejenses, nem cumprir o seu programa eleitoral, como irei mais tarde abordar neste espaço.

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