Ideia para um terreno sem utilização junto ao Parque da Cidade de Beja

Há cidades em Portugal que se modernizam, inovam e procuram alcançar elevados padrões de qualidade de vida. Tornam-se atrativas não apenas pela oferta de emprego, pelas empresas, acessos, escolas, cuidados de saúde ou custo da habitação, mas sobretudo pela capacidade de criar espaços e condições que tornam o quotidiano das pessoas melhor, elevando a qualidade de vida no território. Infelizmente, nesse aspeto, Beja parece ter ficado parada no tempo nas últimas duas décadas.

É verdade que o Estado central tem falhado sistematicamente com Beja e com todo o distrito. Ainda recentemente voltámos a ouvir falar do comboio de 1966 que assegura a ligação Beja – Casa Branca e que continua a avariar constantemente, deixando passageiros retidos durante horas no meio da linha, sem conforto ou segurança. Também a promessa da autoestrada até Beja se repete há mais de 15 anos, sempre que um Primeiro-Ministro visita a cidade. Este desinvestimento contínuo é humilhante para a região e para quem aqui vive.

Mas também o poder local tem falhado. Beja é hoje uma cidade pobre em qualidade de vida. E é pobre não apenas pelos problemas nos acessos, na saúde ou no emprego, mas também pela quase inexistência de espaços públicos capazes de reunir pessoas, promover encontros, incentivar a prática de atividade física e criar verdadeiro espírito comunitário.

Basta visitar o Parque da Cidade, um dos ex-líbris de Beja, para perceber o estado de abandono em que se encontra. A vegetação está descuidada, o parque infantil é insuficiente, desatualizado e pouco apelativo. O café de apoio não presta um serviço de qualidade. Falta investimento, modernização e ambição.

Na área do desporto e do lazer, a situação é ainda mais evidente. Beja praticamente não dispõe de espaços públicos acessíveis para a prática desportiva informal. Os equipamentos existentes pertencem, na sua maioria ao município, mas a sua utilização foi entregue aos clubes, que apenas permitem a utilização por parte dos seus atletas. O comum cidadão não tem acesso a um campo de futebol, ténis, padel, ginásio ao ar livre ou basquete. E isso representa uma falha séria na forma como a cidade pensa o bem-estar da população.

O atual executivo fala frequentemente na necessidade de atrair e fixar jovens qualificados em Beja. Mas como poderá uma cidade reter jovens, quando muitos fins de semana são marcados pela falta de atividades ou eventos e há poucos locais convidativos onde as pessoas possam caminhar, praticar desporto, conviver ou simplesmente usufruir da cidade?

O mais frustrante é perceber que espaço não falta. Um exemplo claro é o terreno situado entre o Parque da Cidade e a Escola Básica de Santiago Maior (sinalizado a vermelho no mapa). Trata-se de um espaço sem função e sem qualquer valorização estética ou social. No entanto, poderia transformar-se num verdadeiro local para a prática de desporto, valorizando o bairro e o próprio Parque da Cidade, que cada vez tem menos utilizadores. Não fossem os insufláveis, que instalam ao fim de semana, uma iniciativa privada, o mesmo estaria praticamente vazio porque não consegue atrair os moradores de cidade.

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