Recolha de monos em Beja: Falta civismo, divulgação e fiscalização

Beja enfrenta diariamente problemas estruturais: falta de investimento, emprego, habitação, acessos e serviços públicos de qualidade. Mas há um problema que depende também do comportamento de todos nós: o civismo.

Um dos temas que mais tenho debatido neste espaço é a limpeza urbana, a manutenção do espaço público e a forma como tratamos a cidade onde vivemos. E há um problema que continua visível em vários pontos da cidade: a deposição ilegal de monos.

Falamos de móveis, colchões, eletrodomésticos, madeiras, sofás e outros resíduos volumosos, mas também de peças automóveis, pneus, resíduos de construção ou objetos de grandes dimensões que perderam utilidade e acabam abandonados na via pública, junto aos moloks ou em terrenos baldios.

Estes resíduos não podem ser tratados como lixo doméstico comum. São objetos difíceis de compactar, muitos deles compostos por materiais poluentes ou recicláveis, exigindo por isso um encaminhamento específico.

A sua deposição incorreta tem consequências sérias para a cidade. Desde logo, degrada o espaço público e transmite uma imagem de abandono, afetando a perceção de segurança e o bem-estar da população. Além disso, muitos destes resíduos ficam expostos ao sol e à chuva, degradando-se e libertando materiais contaminantes. No caso dos eletrodomésticos, podem mesmo existir gases e substâncias perigosas.

Há ainda impactos diretos na mobilidade urbana. Quantas vezes vemos passeios bloqueados, acessos aos moloks e ecopontos impedidos ou resíduos deixados em plena estrada? A isto junta-se o aumento da insalubridade, já que colchões, sofás e madeiras abandonadas podem servir de abrigo para insetos, ratos e outras pragas urbanas.

O mais incompreensível é que existe um serviço gratuito de recolha destes objetos, assegurado pela União de Freguesias de Beja. Após contacto, via telefone (☎️ 284 313 100) a Junta de Freguesia desloca-se à habitação, recolhe os objetos e encaminha-os para o destino adequado. E, para quem pretende desfazer-se rapidamente dos resíduos, existe também a possibilidade de entregar gratuitamente no Ecocentro da Resialentejo, no Parque Industrial de Beja.

Perante isto, torna-se evidente que existem três falhas principais: falta de civismo de alguns cidadãos, falta de fiscalização e fraca divulgação por parte do município.

É verdade que o serviço existe e deve ser valorizado. No entanto, a fiscalização continua praticamente invisível e a divulgação é insuficiente. Tirando algumas publicações nas redes sociais, pouco mais se vê. Quanto mais clara, simples e abrangente for a informação, maior será a adesão da população. Por isso, seria importante apostar numa campanha de sensibilização verdadeiramente massiva: outdoors, rádios locais, jornais, folhetos nas caixas de correio, informação em condomínios, escolas e serviços municipais.

Se Câmara Municipal de Beja consegue promover massivamente tantos eventos culturais e institucionais, porque não investir também numa campanha séria de sensibilização ambiental e limpeza urbana? A existência de recolha gratuita e de ecocentros só produz resultados quando existe divulgação eficaz, acessibilidade e participação da população.

Uma cidade limpa, organizada e funcional depende não apenas dos serviços municipais, mas também do comportamento dos cidadãos. A recolha eficiente de monos permite manter as ruas limpas e seguras, evitar a ocupação indevida de passeios e zonas de circulação, encaminhar materiais para reciclagem ou reutilização, reduzir custos de limpeza urbana, prevenir riscos ambientais e melhorar a qualidade de vida e a imagem da cidade.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *